• (81) 3414-8181
  • ceplan@ceplanconsult.com.br

Artigo de Jorge Jatobá, Economista e Sócio da CEPLAN, publicado hoje (16-06-2020) no Jornal do Commercio.

O processo gradual de reabertura da economia deve ser conduzido com cautela e ser monitorado por um conjunto de indicadores sanitários. Flexibilização precoce e conduzida precipitadamente por pressão de agentes econômicos e/ou necessidades fiscais podem ensejar o surgimento de novas ondas de contaminação, gerando uma nova curva epidemiológica ascendente ou uma inflexão para cima de curva que tivesse se estabilizado ou se encontrasse na sua fase descendente.

Para evitar surtos recorrentes com alto custo em vidas humanas e empregos é fundamental testar a população durante o processo de reabertura gradual das atividades econômicas. A testagem permite identificar quem estaria contaminado, com sintomas ou não, permitindo o isolamento da pessoa e rastreamento de outras com que ela teve contato. A combinação do teste com o monitoramento permitiu que vários países, a exemplo da Alemanha, Nova Zelândia e Coreia do Sul, entre outros, conduzissem com relativo sucesso a abertura gradual da economia. Durante esse processo não realizar testes equivale a pilotar um avião sem radar, em voo cego. A chance de chegar ao destino com rapidez e segurança é remota.

Obviamente, não é possível testar toda a população tanto pelo custo quanto pela escassez de testes com boa qualidade. A prioridade na testagem deve ser para as equipes que estão no front dessa guerra sanitária. É possível, todavia, de forma descentralizada testar os empregados que têm que realizar trabalhos presenciais. Empresários podem afirmar que tal responsabilidade caberia ao poder público. Concordo parcialmente. Há razões econômicas para que o setor privado assuma também essa responsabilidade. O surgimento de novas ondas de contaminação com picos menores, mas ainda letais, podem paralisar ou adiar a abertura, especialmente se os focos de novas contaminações ocorrerem em grandes e médias empresas que detêm processos produtivos que aglomeram trabalhadores ou os expõem ao grande público de consumidores. Se uma empresa torna-se foco de disseminação do vírus, deveria suspender temporariamente suas atividades com perdas econômicas para todos. Neste sentido o teste pode ser considerado um bem público e detentor de significativas externalidades econômicas.

 Setor público e setor privado poderiam se unir em parceria com ganho para todos. As instituições do Sistema “S”, em sua atribuição social, teriam importante papel a cumprir nessa tarefa: uma aliança para proceder com a abertura de forma gradual e segura, salvando vidas e empregos.

Deixe um comentário