Publicações

20/10/2017

A Crise e os Jovens

Jorge Jatobá*  


Uma das dimensões mais dramáticas da crise brasileira é como ela desalenta nossa juventude. Viver em país onde falta ética na política e nos negócios e sobra violência, e onde as oportunidades de trabalho são escassas conduzem a juventude à desilusão. A saída muitas vezes é emigrar em busca de um futuro melhor. Se o benefício pessoal de migrar é inquestionável, o custo para a sociedade brasileira é significativo pois são desperdiçados anos de preparação educacional e profissional e muitos recursos escassos para que o conhecimento,assim acumulado, seja aplicado em benefício de outros países. Ressalte-se que a migração é seletiva, pois migram os melhores.


Nas últimas duas décadas do Século XX muitos jovens brasileiros emigraram. O Brasil não aproveitou a energia e o talento desses jovens que deram sua contribuição para o desenvolvimento de outras economias, tornando-se muito deles cidadãos dos países que os acolheram. Deixaram de construir suas vidas no Brasil, formaram famílias e se inseriram em outras sociedades. A perda desse capital humano é irreparável. Nos tornamos exportadores de jovens, quando não os matamos.


Os dados sobre a situação de trabalho dos jovens revelam um quadro dramático. Estão entre os jovens as maiores taxas de desemprego. Se elas já se situam em condições normais acima da média (em torno do dobro) da força de trabalho, em época de crise essas taxas são as que mais crescem. Os dados da PNAD contínua (IBGE) retratam uma dura realidade. Para o país como um todo a taxa de desemprego de jovens entre 18 e 24 anos de idade elevou-se de 14,1% para 27,3% entre o quarto trimestre de 2014 e o segundo trimestre de 2017, um aumento de 93,6%. Para Pernambuco o quadro é mais grave. Durante o mesmo período a taxa de desocupação dos jovens cresceu de 14,9% para 39,7%, uma variação de 166,5% muito superior à observada para o conjunto do país.


A taxa de desemprego revela que tem gente procurando ativamente trabalho, mas que não o encontra. Situação mais difícil é a dos jovens entre 15 e 29 anos que nem trabalham, nem procuram emprego e nem estudam. Estão dentro de casa dos pais  ou até mesmo na rua, sem fazer nada, sendo expostos à violência. A PNAD mostra que, para o país como um todo, os nem-nem -como é denominado esse grupo- cresceram, entre 2013 e 2015, de 20,3% do total de jovens nessa faixa etária, para 22,5%. Os percentuais para Pernambuco são mais altos e subiram com maior rapidez, elevando-se de 25,8%para 28,5%. Não surpreende que a maior taxa de mortes violentas ocorra no grupo entre 15 e 29 anos de idade.  Dados de Segurança pública revelam que em torno de 50 % dos homicídios ocorridos no país situam-se nessa faixa etária.


Estamos, com muita competência, destruindo a esperança e o futuro dos nossos jovens.


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 Este artigo é de única responsabilidade do autor, não refletindo opiniões da Ceplan

*Jorge Jatobá é Doutor em Economia e Sócio-Diretor da Consultoria econômica e Planejamento - CEPLAN e CEPLAN MULTI. Artigo publicado na Seção de Opinião Jornal do Comercio, Recife, em 10/11/2017.



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