• (81) 3414-8181
  • ceplan@ceplanconsult.com.br

Artigo de Jorge Jatobá, Economista e Sócio da CEPLAN, em versão ampliada daquele de mesmo nome que foi publicado em 13 de agosto de 2019 no Jornal do Commercio.

Em uma economia de mercado o desemprego é a face cruel do ciclo econômico. Na economia capitalista o trabalhador vende seus serviços no mercado de trabalho. Da venda desses serviços ele obtém renda para adquirir bens e serviços e, se sobrar algo, investir para proveito futuro. Quando a economia entra em recessão esse ciclo se rompe e o trabalhador fica momentaneamente sem renda assalariada. Por alguns poucos meses pode recorrer ao seguro desemprego e, se despedido sem justa causa, pode usar o FGTS e verbas indenizatórias. Se a queda no nível de atividade econômica for severa e prolongada nem a rede de proteção social o acorrerá. O trabalhador terá que se informalizar, vivendo de bicos, ou se tornar um pequeno empreendedor motivado pelo ambiente econômico adverso. No capítulo do desemprego, Brasil e Pernambuco estão apresentando padrões de funcionamento do mercado de trabalho diferentes. O cânone que se apresenta para a economia brasileira, não é o mesmo para a economia pernambucana. Vejamos a seguir.

O Brasil está há seis anos enfrentando estagnação (2014), profunda recessão (2015 e 2016) e lento crescimento (2017 a 2019). Em maio deste ano 13 milhões de pessoas estavam desempregadas (IBGE:PNAD Contínua). Todavia, entre maio de 2018 e maio de 2019, esse contingente reduziu-se em 200 mil pessoas vez que o número de pessoas ocupadas cresceu mais do que aquelas que entraram no mercado de trabalho. O emprego com carteira expandiu-se, neste período, em meio milhão de pessoas. O quadro brasileiro é, portanto, consistente com às regras gerais de funcionamento no mercado de trabalho no contexto de uma economia em lenta recuperação. Baixo crescimento, com quedas discretas na taxa de desemprego e com a ocupação se expandindo com letargia. Pernambuco, todavia, foge deste padrão.

A economia pernambucana vem crescendo acima da média do país desde 2017, ano em que cresceu 1,7% contra 1,1% do Brasil (IBGE e Agência Condepe-Fidem) . Em 2018, cresceu 2,1% (Brasil: 1,1%) e, no primeiro trimestre de 2019, 1,1% (Brasil: 0,5%). No entanto, o mercado de trabalho apresenta números relativamente piores do que os do país e os da região (IBGE:PNAD Contínua). A taxa de desemprego de Pernambuco (16,1%), nos primeiros três meses deste ano foi superior a do Nordeste (15,3%) e a do país (12,3%). Entre 2014 e 2017 o Estado demitiu mais do que contratou 150,1 mil pessoas com carteira (CAGED). Em 2018, apresentou um saldo positivo, mas tímido de apenas 4 mil empregos. Em 2019, até junho, o Estado apresentou novamente saldo negativo de 23,7 mil empregos sendo responsável por mais de dois terços (67,3%) do saldo negativo do Nordeste (35,2 mil). Em Pernambuco, a economia cresce, mas isso não se rebate positivamente no mercado de trabalho. Por que?

O baixo crescimento da economia nacional que transmite seus lentos impulsos para a economia local não se constitui em razão suficiente. Temos outras. Primeiro, a construção civil, forte geradora de empregos, deixou de ser o carro chefe da economia. Segundo, as novas indústrias que foram implantadas geram poucos e altamente qualificados empregos e algumas estão em sérias dificuldades. Terceiro, o Estado e alguns municípios estão endividados, contratando e investindo pouco e gastando menos devido à crise fiscal. Quarto, investimentos do governo federal no estado caíram substancialmente. Quinto, empresas sobreviventes saíram da crise mais enxutas e vão continuar assim, e sexto, a revolução da indústria 4.0 já está em curso com o uso da inteligência artificial. Não faltam desafios para os governos e para a sociedade.

___________________________________________________________________________

Esclarecemos que o artigo expõe a opinião pessoal do autor, a qual não necessariamente reflete a opinião da empresa ou dos demais sócios.

Deixe um comentário