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Por Jorge Jatobá, Economista e Sócio da CEPLAN, divulgado originalmente no Jornal do Commercio em 05 de maio de 2020.

A vida humana não tem preço. O valor da vida tem dimensão subjetiva e objetiva. Isso se apresenta de forma dramática na decisão individual que muitos trabalhadores terão que tomar diariamente em meio à pandemia: ficar em casa isolado socialmente com sua família, correndo o risco de perder o emprego, ou trabalhar correndo o risco de perder a vida.

Do ponto de vista coletivo este dilema é colocado falsamente como uma opção entre o distanciamento social para evitar o colapso do sistema de saúde ou a recessão com a perda de milhões de empregos. Economistas em cálculos frios utilizados para conceber, acompanhar e avaliar politicas públicas tais como aquelas necessárias para reduzir a mortalidade em acidentes de trânsito, criaram metodologias que nos dão uma resposta.

Há métodos para se estimar, não o valor da vida humana, mas o custo que a morte de uma pessoa traria para a sociedade. Os analistas usam dados demográficos para estimar esse valor. O conceito é o de vida economicamente ativa. Estima-se o custo da perda de uma vida com base em informações sobre idade, gênero, escolaridade, rendimentos, entre outros. O cálculo é o de quanto uma pessoa que perdeu a vida deixou de ganhar e de produzir durante os anos em que estaria economicamente ativa.

Essa metodologia foi utilizada nos Estados Unidos para medir o custo de se manter, ou não, o distanciamento social. O cálculo é que o isolamento salvaria dois milhões de vidas no valor US$ 21 trilhões, montante dez vezes superior ao pacote de US$ 2 trilhões que o Congresso americano aprovou para mitigar os danos causados às empresas e trabalhadores pela pandemia. Mesmo que as perdas econômicas sejam bem superiores ao pacote mitigador do Governo Trump, a conclusão é de que vale a pena o isolamento (NYT, Coronavirus Briefing, 22/04/20) . Estima-se que até o final da primeira semana de maio cerca de 70 mil norteamericanos venham a óbito, número bem inferior aos 2 milhões previstos na hipótese de não isolamento.

Abrir precocemente a economia poderá aumentar os danos, no longo prazo, pois se houver novos surtos com isolamentos intermitentes a confiança da população e dos agentes econômicos ficará abalada. E mesmo quando as medidas forem flexibilizadas quem vai se arriscar a voltar aos mesmo hábitos do período prépandêmico sabendo que o Covid-19 estará ainda entre nós por muito tempo?

A vida humana tem valor inestimável. Ela não é um número, mas convém considerar essas estimativas.

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