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Uma das consequências do capitalismo cada vez mais globalizado é o aumento da desigualdade. Estudos recentes mostram que as diferenças socioeconômicas vêm crescendo em vários países do mundo, inclusive nos mais desenvolvidos. No ano passado, os Estados Unidos alcançaram seu maior nível de desigualdade desde 1967: 0,1% dos americanos detinha 20% da renda do país. A desigualdade global só caiu em épocas de grandes epidemias e guerras.

A desigualdade sempre foi um traço marcante da sociedade brasileira. As origens, entre outras, remontam à escravidão. Entre 1996 e 2014 essa desigualdade caiu para voltar a subir por 17 trimestres consecutivos (IBGE: PNAD Contínua) até 2019. Segundo a Oxfam, o Brasil, em 2018, foi o nono país mais desigual do mundo. As Nações Unidas estimam que os 5% mais ricos do país se apropriam de fatia de renda igual à dos restantes 95%.

Crescimento econômico reduz pobreza, mas não reduz necessariamente a desigualdade. Ao contrário, se nada for feito, a natureza diferenciadora do capitalismo produzirá aumento da desigualdade mesmo que a economia cresça. A redistribuição de renda e riqueza depende de políticas públicas e, portanto, da determinação redistributiva do governo que estiver no poder. Determinação política para reduzir as diferenças socioeconômicas, aplicação rigorosa do princípio de igualdade de oportunidades e instrumentos fiscais, salariais e tributários, contribuem para se contrapor aos mecanismos concentradores de renda e riqueza. Os países escandinavos nos fornecem uma exitosa experiência neste sentido.

O combate à desigualdade não deveria ser apenas demanda das esquerdas. O assunto é demasiado importante para ser abraçado apenas por socialistas, petistas ou socialdemocratas. Governos liberais e conservadores deveriam igualmente advogá-las com vigor pois menores diferenças de renda entre as pessoas trazem prosperidade socioeconômica e paz   social, especialmente em sociedades abertas e democráticas. Por sua vez, os empreendedores já perceberam que a função social da empresa não se restringe apenas à criação de oportunidades de trabalho. Além de investir socialmente dentro e fora dela, os empresários devem ser porta vozes e proativos na defesa de sociedades menos pobres e desiguais pois o alcance desses objetivos   ampliam o mercado via aumento da ocupação   e da renda, conduzindo a sociedade a um ciclo virtuoso de desenvolvimento econômico e social.

O princípio basilar, todavia, para que uma sociedade se torne menos desigual é a igualdade de oportunidades, especialmente na educação que é instrumento poderoso para encurtar as diferenças socioeconômicas. Diferenças educacionais explicam 40% das diferenças de renda no Brasil. Sem ela, não reduziremos nossas diferenças.

Jorge Jatobá é Doutor em Economia


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