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Artigo de Jorge Jatobá, Economista e Sócio da CEPLAN, para o Jornal do Commercio de 02 de junho de 2020.

Enquanto persiste o debate sobre quando e como se dará a flexibilização do isolamento social, cabe refletir como será o mundo da economia, do desenvolvimento, da educação e do trabalho em dois momentos. O primeiro é o do relaxamento gradual do distanciamento social, antes que se descubra vacina ou medicação eficaz contra o vírus. O segundo, que não sabemos quando será, é o do pós pandemia, quando estaremos imunizados ou pelo efeito rebanho ou pelo efeito vacina.

No primeiro momento, o desafio é retomar a atividade econômica em ambiente sanitário seguro. Isso vai requerer novos processos de organização do trabalho na produção e circulação de bens e serviços e, por conseguinte, exigirá novas habilidades e competências para o exercício das atividades. O nosso sistema de formação profissional terá que se adequar a essa nova demanda.

O consumidor, por sua vez, mudará a forma como se comportará no mercado. Vai retornar às compras com cautela e usará mais o canal online, afastando-se de ambientes presenciais que aumentem o risco de contágio. Haverá, portanto, um novo mapa de preferências.

O grande desafio será o retorno às aulas, onde naturalmente a presença e a aglomeração serão inevitáveis. É impossível transmitir todos os conteúdos pela internet e a exclusão digital, em sociedade profundamente desigual, não permitiria, no momento, sua universalização. Protocolos seguros terão que ser desenhados pelas instituições de ensino. Todavia, as maiores mudanças na educação virão na etapa posterior.

Neste segundo momento, pós pandemia, haverá, na base produtiva, forte aceleração da revolução digital, especialmente nas áreas da informação, transporte, educação e comunicação. Os processos produtivos devem mudar e tais transformações terão consequências sobre a organização do trabalho, o nível de emprego e os requisitos de qualificação, exigindo novas habilidades e competências para conviver em um mundo cada vez mais cibernético.

A crise sanitária, ao reduzir substancialmente o nível de atividade econômica, diminuiu as pegadas ecológicas no planeta, fato observado por setores e instituições associadas ao desenvolvimento sustentável e às mudanças nos padrões de consumo e de crescimento econômico. O debate sobre esse tema vai assumir maior protagonismo, acelerando mudanças e concepções que estão na agenda socioambiental há muito tempo.

 O mundo, durante e após o distanciamento social, irá conviver, com ou sem vacina com um vírus endêmico. Isso irá exigir ajustes em várias dimensões da atividade econômica e do comportamento social, desafiando nossa capacidade de inovar e de aproveitar novas oportunidades que sempre emergem em períodos de crise.

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