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Artigo de Jorge Jatobá, Economista e Sócio da CEPLAN, publicado originalmente no Jornal do Commercio em 15 de julho de 2020.

A pandemia causou um choque exógeno sobre a economia, o mercado de trabalho e a sociedade. É como se um meteoro caísse sobre as três dimensões da vida no planeta. Este choque deixou a nu as profundas desigualdades, nos seus diferentes planos, existentes no Brasil e em outros países.

No mundo desenvolvido uma diferença notável pode ser observada entre a maioria dos países europeus que detêm sólidos sistemas públicos de assistência social e saúde e os Estados Unidos que possuem, nessas duas dimensões, uma precária rede de proteção aos seus cidadãos. Os resultados, em termos de contaminação e letalidade, são evidentes mesmo que se considerem o desdém, as atitudes e as omissões do Governo Trump com relação à pandemia, muito próximas das observadas também no Governo Bolsonaro.

O vírus selecionou os mais pobres e vulneráveis por razões óbvias. Em1º lugar, habitações com muita gente por m² formadas por pessoas de várias gerações (avós, pais, filhos, netos etc) desprovidas, em sua maioria, de rede de esgotamento sanitário e, frequentemente, sem abastecimento contínuo de água limpa. Em segundo, os trabalhadores informais que precisam se lançar às ruas para vender bens e serviços como estratégia de sobrevivência a despeito das transferências do governo federal (coronavouchers). Em terceiro, alta densidade populacional das áreas periféricas, propiciando aglomerações nas vias públicas.

Em quarto, sistema de transporte público e má qualidade e frequência que gera superlotações nos veículos. E, por último, pessoas com baixa qualificação profissional que foram desempregadas e que não se beneficiaram das suspensões temporárias de contrato de trabalho e de redução proporcional de jornada de salários. O precário acesso a bens e serviços públicos e a falta de igualdade de oportunidades, elementos que são determinantes na pobreza e das desigualdades, constituem ambiente propício à expansão do vírus.

No mundo, e em algumas dimensões também no Brasil, o vírus atingiu mais durante minorias étnicas, migrantes, refugiados e não-brancos (afrodescendentes, pardos, indígenas).

A imprensa internacional, especialmente o New York Times e a The Economist, e a nacional, inclusive este JC, tem revelado esses impactos diferenciados de forma contundente. Essas revelações trazem à tona o papel do Estado no combate à pobreza e às desigualdades.

Os resultados positivos do coronavoucher, no caso brasileiro, melhorou na popularidade de Bolsonaro nos estratos mais baixos de renda e está ensejando a criação de nova política social denominada de Renda Brasil, com motivações mais eleitorais do que humanitárias.

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